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terça-feira, 3 de abril de 2018

À volta ao trabalho depois de um bebê


Como eu imaginava, não foi fácil. Exemplo disso é todo esse tempo que passei sem atualizar o blog.
São sete meses sem escrever. Sete meses de adaptação a uma nova rotina. Sete meses em que aos poucos fui me reencontrando, mas também conhecendo outra parte de mim - mais segura, mais forte, mais madura.
Se antes eu podia simplesmente acordar, tomar meu banho e pensar em uma roupa pra sair, agora é bem diferente. Tudo, em absoluto, é bem planejado.
A primeira coisa que pensei quando recebi uma proposta de trabalho foi: não vou dar conta!
Passar o dia longe da minha filha me fez imaginar um turbilhão de coisas negativas - desde a saudade que nós teríamos uma da outra a possibilidade dela se machucar, engasgar, adoecer sem que eu estivesse perto.
Eu não conseguiria lidar com tudo isso, não me concentraria nas minhas obrigações e não estaria sendo justa com a pessoa que me confiou um ofício.
Mas eu também estaria fazendo uma espécie de auto sabotagem, desistindo sem nem mesmo tentar. Quem disse que seria assim? E porque não pensar de forma positiva?
Foi então que comecei a enxergar as coisas por outro prisma.
Um dia a Maysa teria que ir pra escola, isso inevitavelmente nos separaria. E ela, como toda criança, também se acostumaria.
E eu precisava me sentir útil, fazer outra coisa que não me reduzisse à mãe e dona de casa, porque foi exatamente isso que eu fui durante um ano.
Eu vivi dia após dia a maternidade em tempo real. Eu conheci de perto a solidão materna. Eu aprendi a ceder, a deixar pra depois as minhas próprias vontades. Eu me vi abrindo mão de coisas que gostava. Me vi ter saudade dessas coisas e ter que aceitar que naquele momento elas não cabiam. Mas eu também entendi que tudo é MOMENTO, e aquela máxima é verdade: tudo passa!
E esse era o meu momento, chegara a hora de fazer uma transição. Eu tinha uma oportunidade e não poderia deixar passar!
Minha filha não dependia mais de aleitamento materno, embora ainda mame (bastante) como complemento (orientação pediátrica até os 02 anos). Ela já anda, já fala. E eu estaria ali, num piscar de olhos, a qualquer ligação, batsinal ou código morse.
Então, sim. Eu retornaria ao trabalho!
Isso foi tão importante pra mim meu corpo reagiu a minha felicidade: minhas roupas voltaram a servir. Eu poderia me arrumar todos os dias. Deixei de lado os vestidos largos e as roupas de casa. Voltei a usar meus pincéis e batons prediletos.  Eu podia usar um salto. Meu rosto agora tinha um ar saudável.
Maysa começou a ficando alternadamente entre a casa da minha avó e a casa da minha sogra, respectivamente as pessoas que se dispuseram a ajudar. Depois entendemos que isso não daria certo: na casa de um e de outro ela não teria uma rotina, essencial para crianças nessa fase. Então optamos por deixa-la direto na casa da bisa, já que lá eu teria uma pessoa disponível pra cuidar dela, minha prima, a quem ela carinhosamente começou a chamar de mãe.  
Isso não tem preço, né? Quando ela chama minha prima de mãe ela diz que é tão bem cuidada e atendida por ela quanto eu faria.
Conviver com outras pessoas fez com que ela desse um salto no desenvolvimento: Maysa fala tudo! Ela forma frases. Ela relaciona as coisas, as pessoas. Ela sabe quem é marido ou filho de alguém. Ela entende os desenhos que assiste. Se você perguntar, ela vai responder o que está passando. Ela aprendeu a conferir. Você diz um, ela fala dois, eu falo três, ela diz quatro. Ela já reconhece algumas cores e aprendeu dizer em inglês também. Ela diz o que que quer comer: “ comidinha”, “gagau”, “pão”. Avisa quando está com sede ou quando fez cocô. Diz até quando quer tomar banho: banhar! Banhar! Me chama de mamãe, Dadáia e agora, de Danda (porque vê outras pessoas chamarem).
E pra completar, olhou pro pai dela, que colocava um óculos escuro pra sair de casa, e disse: Gatão!
Eu acho que se ela estivesse na escola já estaria fazendo cálculos. kkkkkk
Chegamos até cogitar por na escola ou na creche, mas pra quê? Ela é tão pequenina ainda, não há necessidade de adiantar as coisas. Resolvemos que ela irá pra escola ao completar dois anos. Quer dizer, dois e meio, porque como ela nasceu em agosto, acaba que entra na escola só no início do ano que vem.
Então a nossa rotina funciona meio que assim: começamos o dia pela noite. Isso mesmo.
Ao chegar em casa, à noite, eu já tiro todas as coisas que voltaram sujas, coloco no cesto e faço a mochila do dia seguinte:  fraldas, cueiros, pomada anti assadura, três mudas de roupas, sandália, lacinhos, lanche e remédios, quando necessário. Deixo tudo adiantado pro dia seguinte. Já sei até que roupa vou usar pra sair.
Essa saída, pela manhã, me causou muito estresse no começo. Acordar cedo se transformou em um problema que eu nunca tive: o cansaço de passar o dia fora e ainda encarar um terceiro round em casa estava me consumindo.
Mas é como academia, no início fica tudo dolorido, mas depois estamos cheios de disposição.
Levanto cedo, deixo o marido dormindo no quarto com Maysa e vou fazer o café. Então tomo banho, volto pra comer e subo. Enquanto me arrumo, é a vez dele tomar banho, café e etc.
Mas nem sempre é um sistema assim rápido e bonitinho. Nos dias em que Maysa continua dormindo depois que acordamos é ótimo, fazemos tudo com tranquilidade. Mas e quando ela acorda assim que preciso fazer o café? Nessa hora ela quer peito e a negativa disso é um escândalo, daqueles.
Dar o mamar pra ela me atrasa. Às vezes eu dou por 5 minutos só pra acalmá-la e depois colocamos em um desenho, pra que ela se distraia. Nessa hora o papai também já acordou e está tentando fazer com ela fique com ele pra eu adiantar as coisas.
Às vezes funciona, outras não. Há dias em que ela fica entretida com um desenho, outros que precisa ir comigo fazer o café. Isso me demanda tempo. Ela pede colo, gruda nas minhas pernas, não me deixa andar. E eu, preocupada em chegar atrasada, vou me estressando e tentando recuperar o fôlego. No fim dá tudo certo, mas não sem antes enfrentar um perrengue.
Eu nem olho o celular de manhã cedo, só mexo no meu aparelho depois que estou no carro, e olhe lá. Esse tipo de coisa, por mais que possa ter algo importante, acaba também sendo mais um “tira tempo”.
Mas passando essas coisas, chegamos ao trabalho, os dois. Passamos o dia fora. Ao chegar em casa, cansados, ainda vamos ver o que comer. Enquanto providencio o lanche, ele fica com ela. Depois tem as louças, o quarto que ficou bagunçado ao sair, a mochila do dia seguinte e o preparo pro sono, que envolve mais uma troca de fraldas, esconde-esconde, brincar de comidinha, ver alguns desenhos, dar muito carinho, mamar e enfim, dormir.
Parece simples, né? Mas não é um cálculo exato. Pra gente chegar nisso há muitas e muitas variantes.
À volta ao trabalho não foi fácil, mas sem sombra de dúvidas, um divisor de águas - Eu me reconectei à vida e encontrei outra, mais linda ainda.